quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Conselho da PUC-SP suspende lista tríplice e Anna Cintra pode não assumir reitoria

 http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,conselho-da-puc-sp-suspende-lista-triplice-e-anna-cintra-pode-nao-assumir-reitoria,966487,0.htm

Recurso questiona legitimidade da nomeação de Anna Cintra, a menos votada em eleição

28 de novembro de 2012 | 17h 57

Carlos Lordelo e Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu, e Davi Lira, de O Estado de S. Paulo
O Conselho Universitário (Consun) da PUC-SP acatou recurso de estudantes e suspendeu temporariamente a validade da lista tríplice de indicados para a reitoria. Com a decisão, a posse da professora Anna Maria Marques Cintra como nova reitora, marcada para esta sexta-feira, 30, pode não ocorrer.

Anna Cintra foi a menos votada pela comunidade acadêmica em agosto, mas foi escolhida pelo grão-chanceler da universidade, o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer. Alunos, funcionários e professores, a maior parte em greve desde a nomeação, no dia 12 de novembro, comemoraram a decisão.

A partir de amanhã, a PUC-SP pode ganhar um reitor interino, o professor Marcos Masetto - a decisão depende da aprovação de d. Odilo. O cardeal tem duas opções, segundo explicou Masetto ao Estadão.edu: ou mantém a posse de Anna Cintra, ignorando o recurso aprovado no Consun, ou o nomeia para comandar a universidade até o dia 12 de dezembro, quando haverá nova reunião do conselho e será decidido o mérito do recurso, apresentado pelo Centro Acadêmico 22 de Agosto, dos alunos de Direito. Hoje é o último dia da gestão do atual reitor, Dirceu de Mello – o mais votado na eleição.

"A reunião de hoje foi para fazer um apelo para que ela (Anna Cintra) declinasse da sua decisão (de aceitar a nomeação) e o cardeal reconsiderasse sua decisão (de nomear Anna Cintra)", disse Masetto.
"No entanto, a proposta não foi feita porque a professora não compareceu à reunião (do Consun), mesmo tendo sido convocada." Para o professor, Anna Cintra tem de se manifestar até a reunião do dia 12 de dezembro.

As regras para a escolha do reitor na PUC-SP preveem eleição em que alunos, funcionários e professores votam. Uma lista tríplice segue para o cardeal, que tem a prerrogativa de selecionar um dos nomes. Tradicionalmente, o primeiro colocado é o escolhido. A nomeação de Anna Cintra abriu uma crise na universidade, com alegações de parte da comunidade acadêmica de que a decisão de d. Odilo feriu a “democracia”.

No recurso, os estudantes afirmam que a nomeação de Anna Cintra, mesmo legal, violou artigos do estatuto e do regimento geral da universidade, segundo os quais os funcionários e professores devem zelar pelo patrimônio moral da universidade. Os alunos lembram que Anna Cintra assumiu o compromisso durante um debate eleitoral de não aceitar a nomeação caso não fosse a mais votada. “Foi uma mentira assinada”, afirmou André Paschoa, presidente do CA 22 de Agosto. “Ela desfez um compromisso, o que configura atentado ao patrimônio moral da universidade.”

O recurso foi protocolado nesta semana. O representante da Fundação São Paulo – entidade mantenedora da PUC – pediu vistas e, como a posse da nova reitora era iminente, o conselho resolveu suspender os efeitos da lista tríplice.

Para o estudante de Jornalismo Stefano Wrobleski, a decisão do Consun representou uma “grande vitória” para o movimento. “O fato de ela não ter comparecido ao Consun, órgão do qual fazem parte alunos, professores e funcionários, é preocupante. Nosso receio é de que ela passe por cima de todos e assuma a reitoria.”

Segundo a presidente da Associação dos Professores da PUC-SP, Victória Weischtordt, a entidade apoiou o recurso dos alunos. “Apesar de ser uma vitória, não resolve o problema, que só foi adiado”, afirma. Amanhã haverá uma audiência de conciliação do sindicato com a Fundação São Paulo, que moveu recurso no Tribunal Regional do Trabalho contra a greve dos docentes – considerada “abusiva e ilegal”.

Em nota, a Fundação São Paulo informou que d. Odilo ainda não foi comunicado oficialmente do resultado da reunião do Consun. Disse ainda que é legítima a escolha de Anna Cintra para a reitoria. Já a assessoria do cardeal afirmou que ele estava em um retiro, incomunicável.

Protesto. Hoje à noite, cerca de 400 alunos realizaram uma manifestação no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, região central. Entre os participantes da "aula pública" estava o professor de Filosofia da USP Vladimir Safatle. "A universidade é um espaço absoluto de livre pensar e é isso que está em jogo aqui. Vigilância máxima é o mínimo que podemos fazer", afirmou Safatle.
O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) foi ao protesto e disse que convocaria Dirceu de Mello e d. Odilo para prestar esclarecimentos na Assembleia.

Depois os alunos tomaram uma faixa da avenida e desceram a Rua da Consolação até o câmpus da PUC-SP na Rua Marquês de Paranaguá. Lá, chamaram os colegas para "a luta". Em algumas salas professores aplicavam prova.

Segundo o estudante de Engenharia de Produção Felipe Soares do Nascimento, o movimento grevista está "certo", mas ocorre "na hora errada". "Deveriam esperar o término das aulas", afirmou. De acordo com ele, nem professores nem os alunos de seu curso aderiram à paralisação.

Para o aluno Diego Suzuki, caso Engenharia de Produção também aderisse à greve ele faria parte do movimento. "Acho interessante o movimento estudantil, faz tempo que não vejo nenhuma mobilização deste tamanho."

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ensino médio público tem 8,6% de estudantes de famílias ricas, diz IBGE

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/11/ensino-medio-publico-tem-86-de-estudantes-de-familias-ricas-diz-ibge.html


Na rede particular, 53% são ricos e apenas 3,8% são da classe mais baixa.
Estudo do IBGE mostra concentração de renda nas escolas particulares. 

Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (28), mostra que 8,6% dos estudantes do ensino médio matriculados nas escolas da rede pública pertencem a famílias com renda per capita na faixa dos 20% mais ricos do país. O índice é maior que o dobro da situação inversa: só 3,8% dos estudantes de famílias pobres estudam em escolas particulares. Na rede privada, 52,3% dos estudantes pertencem à faixa de renda mais rica.
Os dados integram a "Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2012", elaborada pelo IBGE. A base de dados do estudo foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), referente a 2011.
A síntese dividiu a população em cinco faixas de renda per capita. De acordo com os dados, no ensino médio da rede pública a distribuição é parecida nas quatro faixas de renda mais baixas: 22,4% na primeira; 26,7% na segunda; 23,1% na terceira; 19,2% na quarta, e 8,6% na quinta, das famílias mais ricas. A rede pública reúne 87% dos estudantes matriculados no ensino fundamental e no ensino médio.
Na rede particular do ensino médio, 3,8% são da primeira faixa, dos mais pobres; 7,5% pertencem a famílias da segunda faixa; 13,4% estão na faixa intermediária; 22% na quarta, e 53,2% dos estudantes estão na quinta, a faixa das famílias mais ricas. A rede particular atende 13% do total de estudantes matriculados no ensino fundamental e no ensino médio.
Ana Luiza Mendonça diz se sentir melhor no ensino médio público (Foto: Pedro Cunha/G1)Ana Luiza Mendonça diz se sentir melhor no ensino
médio público (Foto: Pedro Cunha/G1)
Da particular para a pública
O bom desempenho de estudantes de escolas públicas federais, técnicas e militares em exames como o Enem e vestibulares também atrai famílias com melhor condição financeira. Há cerca de dois anos, a estudante Ana Luiza de Deus Mendonça, de 17 anos, trocou um colégio particular da Região Nordeste de Belo Horizonte pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), onde, segundo ela, encontrou um melhor preparo para a “vida adulta”, com o curso técnico de edificações.
Para Ana Luiza, faltava “alguma coisa” no colégio em que estudava. “Era muito dependente. Não dependia só de mim para as coisas acontecerem. Tinha sempre uma terceira pessoa para as coisas acontecerem no colégio. Se tivesse alguma reclamação, só a minha fala não servia. E eu acho que é assim em todo colégio particular”, disse.
A estudante do 2º ano do ensino médio contou que, do outro colégio, ficou somente a saudade das amigas. “Eu tenho tudo aqui, é só ir atrás.”
Para ela, a primeira impressão do Cefet foi “um choque”. “É completamente diferente. As pessoas, a mistura das pessoas. Cada uma das minhas amigas mora em uma cidade. Todo mundo muito diferente, o que acrescenta muito. Se conhece gente de tudo quanto é jeito. E o ensino é bem puxado. Acho que eu cresci mais aqui. Estou mais bem preparada para o mundo”, afirmou a estudante.
Desigualdade
De acordo com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil é um dos 26 países analisados com maior desigualdade de desempenho entre o ensino público e o privado, ficando atrás apenas do Catar, Quirguistão e Panamá. As diferenças na condição socioeconômica dos alunos são os principais determinantes da variação de desempenho, segundo o levantamento.
A desigualdade entre os alunos dependendo da rede de ensino cursada aparece também nos resultados do Indíce de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011. O Ideb, para as redes pública e particular, respectivamente, teve as seguintes notas: 4,7 e 6,5 nos anos iniciais do ensino fundamental; 3,9 e 6,0 nos anos finais do ensino fundamental; e 3,4 e 5,7 no ensino médio.
*Com reportagem de Pedro Cunha e Alex Araújo, do G1 MG, Vanessa Fajardo e Paulo Guilherme, do G1 em São Paulo

terça-feira, 27 de novembro de 2012

PUC-SP debate violação dos direitos humanos no Brasil


http://www.brasildefato.com.br/node/11230
Roda de conversa marca 35 anos da invasão da tropa policial na universidade
26/11/2012
da Redação
Era pouco mais de nove horas da noite do dia 22 de setembro de 1977 quando alunos da PUC-SP, que realizavam um protesto pacífico, foram surpreendidos pela tropa policial do Coronel Erasmo Dias. Com bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cassetetes, a PM bloqueou todas as saídas da universidade. Detida, a multidão passou por uma triagem visual onde os policiais buscavam reconhecer manifestantes com “antecedentes subversivos”. Cerca de 700 estudantes foram presos.
Para relembrar o episódio que ficou conhecido como a “invasão da PUC”, a universidade realiza nesta terça-feira (27) uma roda de conversa com palestrantes, professores e alunos no auditório 239 do Campus. O evento será às 19h30 com entrada franca.
Dentre os palestrantes convidados, está Benedito Mariano, do Conselho Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. Ele abordará o resgate histórico da construção da ideia de segurança pública e as práticas atuais da instituição. Mariano foi o primeiro ouvidor de polícia no país de 1995 a 2000.
Também estará presente Maria Auxiliadora Arantes, integrante da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, que falará sobre o 1º Congresso de Anistia na PUC-SP, a Luta pela Anistia no Brasil e o papel da universidade nesse processo. A conselheira da Comissão de Anistia Rita Maria de Miranda Sipahi completa o trio de palestrantes.
Durante o evento será apresentado o resultado do Projeto “Torquemada - Resgatando a Memória da Opressão do Passado ao Presente”. O trabalho visa a disseminação de diálogos (cênicos, midiático e virtuais) sobre a violação e promoção de direitos na atualidade e a manutenção da memória sobre o período da Ditadura e da Anistia por meio do espetáculo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Universidades públicas de SP irão propor cotas de 50%


http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2012/11/26/universidades-publicas-de-sp-proporao-cotas-de-50.htm
26/11/2012
As três universidades públicas paulistas, USP, Unesp e Unicamp, fecharam na quinta-feira (22) proposta que será apresentada nesta semana ao governador Geraldo Alckmin para adoção de um programa de cotas que destinará 50% das vagas a alunos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. O objetivo é igualar os porcentuais estabelecidos pelo governo Dilma Rousseff para as universidades federais na Lei de Cotas.

A proposta estadual, assim como a lei federal, leva em conta critérios econômicos e raciais de inclusão. Metade das vagas reservadas seria para estudantes com renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo por pessoa; e 35%, para pretos, pardos e índios.
A afirmação é do reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, membro do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo), que vinha discutindo o plano desde o início de outubro, quando o governador pediu a sua formulação, após a regulamentação da Lei de Cotas - que só se aplica às instituições federais de ensino.
"A proposta para o programa de cotas já foi escrita e vai ser apresentada nesta semana ao governador. Estamos fazendo o mesmo que o governo federal, mas com mais qualidade", afirmou Durigan, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Atualmente reitor em exercício, ele já foi nomeado para assumir formalmente a reitoria pelos próximos quatro anos, a partir de janeiro.
Segundo Durigan, o documento será entregue ao governador por Luiz Carlos Quadrelli, secretário em exercício de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo, pasta à qual as universidades estão ligadas.
A reportagem solicitou entrevistas com os reitores da USP, João Grandino Rodas, e da Unicamp, Fernando Costa, mas não foi atendida. A assessoria de imprensa da USP não confirmou as informações passadas por Durigan. A Unicamp, em nota, resumiu-se a dizer que uma comissão criada recentemente pelo Cruesp discute uma proposta preliminar sobre inclusão social.
Segundo Durigan, o projeto se basearia em dois pilares: qualidade, por meio de reforço no aprendizado, e permanência, por meio da concessão de bolsas de cerca de um salário mínimo. "Temos de dar duas condições para eles: um reforço de aprendizado, porque eles vêm com deficiência na sua formação, e uma garantia de bolsa para que eles permaneçam no curso, pois não adianta nós incluirmos esse aluno e ele não conseguir ficar porque a família dele não tem condições", diz Durigan.

Preparação

O reforço poderia ser dado de duas formas. Uma delas seria um curso preparatório anterior à entrada na universidade, de um ou dois anos, para o aperfeiçoamento em matérias que já são dadas no ensino médio, mas que já valeria como um curso de nível superior - como os "colleges" do modelo americano, segundo Durigan.


25.set.2012 - Estudantes realizaram um protesto em frente à reitoria da USP (Universidade de São Paulo), nesta terça-feira (25), para pedir a adoção de cotas sócio-raciais na universidade. Dentro da reitoria, a reunião do Conselho Universitário discute o tema pela primeira vez desde a criação do Inclusp (Programa de Inclusão Social da USP), em 2006. O evento foi organizado pela Frente Pró-Cotas Raciais na USP, vinculado ao Núcleo de Consciência NegraMais Leonardo Soares/UOL

A outra proposta é dar um reforço paralelo após a entrada na universidade, nas disciplinas em que o aluno tiver tirado nota baixa no vestibular.
A estimativa do plano é que 40% dos selecionados pelas cotas farão o curso preparatório anterior e 60% irão para a universidade diretamente após o vestibular, com a possibilidade de reforço paralelo.
"O curso preparatório anterior à universidade seria como um college e daria um diploma de nível superior a esses alunos, um diploma intermediário. E depois eles estariam aptos a entrar na universidade ou poderiam entrar no mercado de trabalho", explicou Durigan.
Sobre o diploma que o estudante obteria após a conclusão do college, Durigan afirmou que ele permitirá prestar concurso público com nível superior. Ele defende que é melhor fazer esse curso do que um cursinho pré-vestibular. "O que nós queremos é levar esse aluno para cima. Os alunos que entram nos vestibulares mais concorridos já ficam dois ou três anos no cursinho. Os alunos que vão fazer o reforço antes da universidade não vão fazer um cursinho, mas um curso voltado ao trabalho.
Apostamos nesse college prévio porque o indivíduo sai com formação. Se quiser, pode ganhar dinheiro, prestar concurso público. Se ele quiser progredir mais, tem a oportunidade de fazer um curso como Medicina, Engenharia, escolhendo dentro do número de cotas disponíveis, dependendo do seu rendimento, sem precisar fazer uma nova prova."
A seleção dos cotistas que iriam para o curso anterior à universidade poderia se dar pelo desempenho que tiverem na rede pública, pela nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ou pelo Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), algo que será definido pelo governador.
As aulas do college seriam semipresenciais. As avaliações seriam presenciais, mas a maioria do curso seria a distância, pelo sistema da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Entre as disciplinas adiantadas por Durigan estariam matemática, física, química, português e redação, filosofia, inglês e, possivelmente, iniciação à pesquisa.
"É uma mudança de paradigma. Queremos incluir gente que normalmente não entra pelo vestibular. Nós queremos prestigiar o aluno da escola pública e dar qualidade para que ele se mantenha no curso, entre em igualdade de condições e pela porta da frente. É a inclusão que nós queremos", afirmou Durigan.

Repercussão

O presidente da ONG Educafro, frei David Santos, disse que está em contato com o diretor da Univesp, Carlos Vogt, sobre o assunto e que aprova a ideia do modelo de college, assim como a cota de 50% e a bolsa para cotistas. "Caso a proposta venha a se concretizar, o governador e os três reitores estão saindo da meritocracia injusta e adotando a meritocracia justa", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

MEC muda divulgação e 55% das escolas participantes 'somem' do Enem


http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mec-muda-divulgacao-e-55-das-escolas-participantes-somem-do-enem-,963910,0.htm

Fora do mapa. Em São Paulo, 12 das 50 escolas que encabeçavam o ranking de 2010 não tiveram as notas consideradas na edição de 2011, divulgada ontem; ministério excluiu da listagem todos os colégios em que menos da metade dos alunos fez a prova

23 de novembro de 2012 | 2h 17
O Estado de S.Paulo
O Ministério da Educação (MEC) alterou, pelo segundo ano consecutivo, a forma de divulgação dos resultados por escola do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Nos dados de 2011, anunciados ontem, só aparecem na lista as escolas em que mais da metade dos alunos do 3.º ano fizeram o exame. Com isso, 55% das escolas públicas e particulares que participaram do Enem "sumiram" da relação.
Em São Paulo, a mudança atingiu em cheio os colégios tradicionais paulistanos. Doze das escolas particulares da capital que figuravam entre as 50 melhores no ranking do Enem nos dois anos anteriores não aparecem na lista divulgada ontem.
É o caso, por exemplo, do Colégio Santa Cruz. Na capital paulista, a escola teve a quarta melhor pontuação média em 2009 (715,17 pontos) e subiu para a terceira em 2010 (714,14). No entanto, como menos da metade dos alunos do 3.º ano do ensino médio fez o teste, o resultado de 2011 não foi informado pelo MEC.
Em 2009, apenas 36,9% dos formandos participaram do Enem. Em 2010, a participação foi ligeiramente superior: 44,4%. Ainda não há como saber sobre o desempenho da escola em 2011, porque os dados serão enviados apenas à direção do Santa Cruz (veja a relação de outras escolas na mesma situação no quadro).
Uma das explicações para a baixa participação de escolas paulistanas é que o Enem não é o principal processo de seleção das universidades estaduais de São Paulo: USP, Unesp e Unicamp. Nas duas últimas, pode-se apenas compor a nota final. Por isso, alunos preferem se dedicar a outras provas.
O coordenador pedagógico do Colégio Santo Américo, Miguel Arruda, decidiu enviar um comunicado aos pais para explicar o porquê de o colégio, depois de ter sido o 17.º colocado em 2010, desta vez nem constar da lista. "Fizemos uma carta aos pais, antes de eles acharem que estávamos mal. Não estamos. Só não conseguimos convencer nossos alunos a fazer a prova."
Por lá, diz Arruda, mesmo com os pais "vacinados", a exclusão da lista deve ter consequências. "Quem está escolhendo colégio pode nem considerar o Santo Américo porque não estamos no ranking." No ano que vem, Arruda pretende fazer uma cruzada na sala dos alunos. Em 2010, 48,3% deles fizeram o exame. "Vou pedir que, por amor ao colégio, eles façam o Enem", diz o coordenador.
Médias. Outra alteração na divulgação de ontem diz respeito à média geral - que considera apenas as provas objetivas, sem levar em conta a redação.
No ano passado, a composição da média incluía a redação e todas as escolas tinham a nota divulgada, com o respectivo porcentual de participação. Segundo o MEC, o critério de correção das redações é subjetivo e não pode ser comparado com as provas objetivas, baseadas na Teoria de Resposta ao Item (TRI), um modelo que permite a comparação das provas de um ano com o outro. "A correção da redação é muito subjetiva. Nós tentamos fazer algo o mais objetivo possível", afirmou o ministro Aloizio Mercadante.
As mudanças dividem especialistas e escolas. Para a consultora Ilona Becskehásy, a decisão do governo de não divulgar as notas de escolas com menos da metade de participação contraria o princípio da transparência.
"Tem de divulgar e deixar a sociedade ponderar se poucos alunos podem representar toda uma escola", diz. Sem a divulgação massiva, os microdados ficam restritos aos pesquisadores e não chegam à sociedade interessada. "Se sou pai, quero saber tudo o que puder sobre o colégio do meu filho."
O pesquisador Chico Soares, especialista em avaliação e consultor do Inep, afirma que o sistema ainda não está estável e que a forma de divulgação ainda é um processo em construção. Mas, segundo ele, que participou do processo de mudança, as regras implementadas neste ano foram salutares. "O Enem mostra quem é a escola. Se alguém decide deixar os 50% piores de fora, vai ter um retrato que não corresponde à realidade."
No Colégio Bandeirantes, em São Paulo, apesar de a maioria dos alunos ter como meta os exames da USP, Unicamp e FGV, que não consideram o Enem, a direção incentivou a participação. "Tentamos mostrar a eles que é um exame nacional que avalia o currículo. Não podem ser tão imediatistas e só pensarem no vestibular", diz Mauro. A escola teve 72% de participação.
 / OCIMARA BALMANT, DAVI LIRA, PAULO SALDAÑA, FELIPE FRAZÃO, CARLOS LORDELO, CRISTIANE NASCIMENTO E LISANDRA PARAGUASSU

Em defesa da democracia na instituição, docentes da PUC-SP decidem manter greve

Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN

Data: 22/11/2012


A comunidade acadêmica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) decidiu, na noite desta quarta (21), pela manutenção da greve iniciada há uma semana. A paralisação acontece em protesto à nomeação da professora Anna Cintra para ocupar a reitoria da instituição. Ela ficou em terceiro lugar na eleição, na qual votaram todos os membros da instituição.

Em nota divulgada pela Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc-SP), em conjunto com demais entidades da comunidade acadêmica, docentes, estudantes e funcionários consideram que, ao escolher Anna, o arcebispo D. Odilo Scherer passou por cima da soberania e da legitimidade democrática do processo eleitoral, colocando em risco toda a estrutura universitária.

“Repudiamos como ilegítima a posse da professora Anna Cintra que, com declarações truculentas como “Escolhe quem pode escolher”, se presta a ser instrumento de um projeto de demolição das conquistas realizadas às duras penas”, observam as entidades.

Ao menos sete cursos já aderiram à paralisação. Em nota, o diretor da Faculdade de Direito, Marcelo Figueiredo, afirmou que uma reunião extraordinária do Conselho da Faculdade de Direito decidiu, por unanimidade, "reconhecer a legitimidade" do movimento.

Audiência
Na noite desta quarta, o movimento grevista realizou uma audiência pública no Teatro Tuca, da própria instituição, que contou com a participação da Apropuc-SP, Associação de Funcionários Administrativos da PUC-SP (Afapuc),  de movimentos estudantis e do atual reitor, o professor Dirceu de Mello.

Nesta quinta e sexta, os manifestantes farão panfletagens e promoverão aulas públicas sobre educação laica, história da PUC, fundamentos de uma universidade, entre outros temas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Alunos da PUC-SP decidem manter greve na universidade

Decisão foi tomada após a nomeação de Anna Cintra para reitora da instituição
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Estudantes da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) decidiram, nesta quarta-feira (21), continuar aparalisação iniciada na última semana. Segundo os alunos, a decisão de manter a greve foi tomada durante o dia, em assembleias realizadas nos cursos da universidade.

Por volta das 18h30, quase todas já haviam apoiado a greve, e outras sinalizam apoio a paralisação. Ainda no mesmo horário, os professores estavam reunidos em uma assembleia que teve início as 17h. Alguns representantes de cursos da universidade já sinalizam apoio a continuidade da greve.


O protesto acontece após a nomeação da professora Anna Cintra para o cargo de reitora da universidade. Ela tem 73 anos e foi a terceira colocada na disputa que contou com votos de estudantes e funcionários. Mesmo perdendo, ela foi nomeada pelo cardeal Dom Odilo Scherer. O primeiro colocado foi o ex-reitor da instituição, Dirceu de Mello.


Na noite da última terça-feira (13), cerca de 600 estudantes passaram a noite desta na reitoria da universidade, no bairro de Perdizes, zona oeste da capital. Na manhã da quarta, porém, eles decidiram desocupar o prédio e seguiram em marcha até a Fundação São Paulo.

Fundação São Paulo
A Fundação São Paulo, mantenedora da PUC- SP,  enviou um informe para os docentes e colaboradoresafirmando que a paralisação na universidade atrasa “a confecção das folhas de pagamento do décimo terceiro salário”. Além disso, o recado afirma que a greve “só prejudicará os alunos e toda a comunidade universitária”.

No comunicado, a fundação ainda diz que o movimento "não se reveste de legitimidade porque não se cumpriram as exigências legais para deflagrá-lo e porque o motivo [nomeação da reitora] fere os Estatutos da Universidade e da própria Fundação"
http://noticias.r7.com/educacao/noticias/alunos-da-puc-sp-decidem-manter-greve-na-universidade-20121121.html